Artistas Residentes:
Gabriela Cordovez & Daniel Paiva de Miranda
Anis Yaguar & Sumé Vasconcellos
Davi Pontes & Wallace Ferreira
Quimera & Hugo Leonardo
Maria Palmeiro
Mariana Par Eras:
Nina Velho
Maria Clara Contrucci
Maria Carolina Werneck
A Residência REFRESCO "Ciclo 1" teve como foco a ação coletiva, a reflexão sobre o espaço enquanto local de partilha e o pensamento sobre a sustentabilidade da Refresco, junto à manutenção de si como artista dentro do meio da arte. Uma vez que sabemos que esse domínio comporta um contraste, já que por um lado há precariedade, e por outro há o mercado de luxo de arte com sua macro-economia girando. A Refresco é um lugar do qual ações partem prescindindo de condições institucionais, permitindo maior liberdade para a criação. Ao mesmo tempo, é uma iniciativa que até então não se valia propriamente de um aporte financeiro.
Ciclo 1 foi uma primeira experiência do espaço em propor um projeto de residência e formou seu conjunto de artistas através de uma chamada pública. A Refresco intenta uma negociação constante sobre o uso de seu espaço, visto que para cada residente não é previsto o uso de ateliê privativo, mas sim compartilhado. Os artistas tiveram que descobrir o espaço e partilhá-lo, permitindo a criação de uma alguma zona de contágio entre seus trabalhos. Sendo assim, a autogestão aparece de algum modo como mote e acreditamos que uma proposta alegadamente coletiva traz consonâncias nas realizações materiais posteriores, sejam elas objetuais, conceituais e o que mais for possível.
Talvez neste projeto esteja embutida a própria pergunta “o que é uma residência em arte?”. O questionamento aparenta notória simplicidade, mas visto que o domínio da arte se coloca como um território de constante embate de ideias, parece promissor apostar que as experimentações que acontecem no espaço estão sempre abertas a não se refrearem em posições estanques, buscando não só compreender, mas explorar de modo imersivo o que um espaço autônomo como tal pode propulsar em seus processos criativos. A residência previu uma exposição coletiva no fim do período, contemplando as diversas linguagens e confluência de meios que foram admirados na leitura das propostas enviadas ao edital. Frente à crise sanitária, o projeto acabou transformando-se e como finalização criamos um material audiovisual cuja narrativa envolve os trabalhos desenvolvidos em consonância com o desenrolar da residência. Essa produção integrou a programação da mostra audiovisual Mira, ocorrida no ArtRio em 2020, através do convite feito pelo curador Victor Gorgulho.